Largo: Entretempos Fotográficos

Abertura:

3 de fevereiroDas 18h30 às 21h30

Local:

Instituto ViaFoto

Endereço:

Rua Fernão Dias, 640 – Largo da Batata, Pinheiros – São Paulo/SP

RSVP: (11) 92148-9322

Contamos com sua presença!

Curadoria:

Marcello Dantas

Co-Curadoria:

Luciana Brafman

Fotos que Nunca Serão Postadas

Instituto ViaFoto inaugura exposição inédita que devolve à fotografia sua liberdade original — sem celulares, sem registros e com escolha individual do olhar

São Paulo, fevereiro de 2026 — O Instituto ViaFoto abre sua temporada de 2026 com uma das exposições mais provocadoras já realizadas no Brasil. Fotos que Nunca Serão Postadas reúne obras de 35 fotógrafos contemporâneos em uma mostra que investiga os limites da circulação da imagem na sociedade atual — atravessada por algoritmos, filtros morais imediatos e formas explícitas ou difusas de censura. Em meio à superexposição visual e à vigilância algorítmica, a exposição propõe uma pausa no consumo automático de imagens e recoloca o ato de ver como uma escolha consciente, ética e pessoal.

Hoje, a fotografia é uma das linguagens artísticas mais filtradas da contemporaneidade. Não apenas por censuras explícitas, mas por um conjunto difuso de forças — algoritmos, códigos morais imediatos, políticas institucionais e sistemas automatizados de controle — que determinam o que pode ou não circular. Se antes a imagem era interditada por órgãos oficiais, hoje ela é frequentemente bloqueada por critérios opacos, sem mediação humana e sem possibilidade de contestação. Nesse contexto, Fotos que Nunca Serão Postadas cria um espaço protegido onde a fotografia pode existir fora desses filtros — não como provocação gratuita, mas como exercício de liberdade.

A curiosidade humana é o motor silencioso da exposição. O projeto reafirma a fotografia como linguagem universal, acessível e plural. Nenhum visitante vê a mesma exposição da mesma forma. Se há 35 obras, há 35 experiências possíveis — que se multiplicam a cada novo olhar. A mostra parte do princípio de que ver não é um gesto neutro, mas um ato que envolve desejo, escolha e responsabilidade.

A experiência proposta é radicalmente individual e consciente. Nenhuma fotografia pode ser registrada pelo público. Ao entrar na sala expositiva, todos os celulares são guardados em escaninhos individuais, trancados com chave. O que se estabelece ali é um encontro direto entre visitante, imagem e tempo — sem telas, sem mediações tecnológicas e sem possibilidade de reprodução. A fotografia deixa de existir como circulação e retorna à sua condição essencial: presença.

Cada obra permanece protegida por uma cortina preta. Para vê-la, o visitante precisa realizar um gesto simples e simbólico: puxar uma cordinha e escolher olhar. Nada se revela de imediato. Nenhuma imagem está disponível ao olhar casual. A proteção cria um intervalo deliberado entre o desejo e a visão — um tempo de suspensão em que o ver deixa de ser imposto e passa a ser escolhido. Não há narrativa conduzida. Há apenas decisão.

A solução expográfica dialoga diretamente com trabalhos históricos de Antonio Manuel, que, nos anos 1980, passou a proteger suas obras com cortinas como forma de enfrentamento à censura. Ao fazê-lo, não escondia a imagem — devolvia ao público a responsabilidade do olhar. O gesto de revelar tornava-se um pacto silencioso entre obra e visitante. Ao resgatar essa referência, o ViaFoto atualiza uma estratégia artística que permanece urgente: criar condições para que a liberdade da imagem possa existir.

“É preocupante perceber que a fotografia, nascida tão livre quanto a pintura, tenha se tornado uma das linguagens mais cerceadas do nosso tempo”, afirma Marcello Dantas, curador da exposição. Para ele, a mostra propõe um deslocamento fundamental: “Estamos devolvendo à fotografia aquilo que ela vem perdendo progressivamente — tempo, presença e autonomia”.

A exposição não busca o choque nem o sensacionalismo. As 35 fotografias são, em sua maioria, poéticas, gráficas, sensíveis e sofisticadas. Elas deixam de circular não por violência explícita, mas por razões subjetivas: nudez artística, temas íntimos, simbolismos complexos ou contextos que simplesmente não se ajustam à lógica das plataformas digitais. Muitas imagens não desaparecem por proibição direta, mas por inadequação aos filtros invisíveis que hoje regulam a circulação do visível.

As fotografias reunidas em Fotos que Nunca Serão Postadas tornam-se inacessíveis ao grande fluxo por três forças centrais que hoje moldam a circulação da imagem. A primeira é algorítmica: determinados temas, corpos, cores, símbolos ou contextos são barrados automaticamente por plataformas digitais, segundo critérios opacos e sem mediação humana. A segunda é social: tabus culturais e leituras morais simplificadoras classificam certas imagens como “inadequadas”, “excessivas” ou “incômodas demais” para circular. A terceira é institucional: razões políticas, regulatórias ou comportamentais fazem com que algumas obras simplesmente não encontrem espaço nos circuitos expositivos tradicionais. A maioria das fotografias é poética, gráfica, sensível e sofisticada — fotografias que exigem tempo, silêncio e disponibilidade, qualidades cada vez mais raras no ambiente contemporâneo de consumo visual.

Ao lado de cada obra, o visitante encontra legendas e textos curatoriais detalhados, que contextualizam o trabalho sem antecipar sua visualidade. Fotografias com temas sensíveis estão bem sinalizadas. “Não se trata de censura, mas de cuidado”, explica a co-curadora Luciana Brafman. “Criamos um ambiente no qual cada visitante pode interpretar, sentir e decidir — respeitando seus próprios limites, sem interferência externa.”

Entre os artistas participantes está Miguel Rio Branco, que apresenta uma obra censurada tanto no Brasil quanto na China, jamais exibida em museus. Para o artista, espaços independentes como o ViaFoto tornaram-se hoje essenciais para que determinados trabalhos possam existir plenamente, fora das restrições impostas por plataformas, instituições ou mercados.

A experiência é inteiramente analógica, silenciosa e irrepetível. Não é permitido fotografar, filmar ou registrar imagens dentro da sala expositiva. Não há imagens prévias, spoilers ou possibilidades de compartilhamento. O encontro com a obra acontece uma única vez, naquele instante. Se existe algo que só pode ser visto ali, sem registro e sem circulação, é exatamente ali que o desejo de ver se intensifica.

Fotos que Nunca Serão Postadas é um convite a repensar a relação contemporânea com a imagem — e com o próprio ato de olhar. Em um mundo saturado de imagens impostas, a exposição afirma algo raro e necessário: ver é um privilégio que começa pela decisão de olhar, de recusar, de permanecer ou de seguir adiante.

Artistas participantes:

Arthur Lescher · Ayrson Heráclito · Bárbara Paz · Berna Reale · Bettina Samaia · Bob Wolfenson · Cássio Vasconcellos · Claudia Jaguaribe · Claudio Edinger · Dimitri Lee · Gabriel Chaim · Gabriel Wickbold · Giovanni Bianco · João Farkas · João Orleans e Bragança · Juliette Bayen · Kazuo Okubo · Maihara Marjorie · Marcelo Tas · Mariana Ximenes · Marcos Chaves · Miguel Rio Branco · Natallia Rodrigues · Nídia Aranha · Nuno Ramos · Oskar Metsavaht · Petra Costa · Raphael Escobar · Renata Bueno · Renata Casagrande · Sergio Coimbra · Tuca Reines · Victor Collor · Wagner Schwartz · Zeca Camargo

Ficha Técnica

Realização:

Instituto ViaFoto

Curadoria:

Marcello Dantas

Co-Curadoria:

Luciana Brafman

Planin – Assessoria de Imprensa do Instituto ViaFoto

Beatriz Imenes, Eduarda Lopes e equipe – www.planin.comTel.: (11) 2138-8940 – Cel.: (11) 99552-6730 – viafoto@planin.com